Examen portugues – 2o idioma CECO 2012

Há três semanas, na crónica “O futuro do euro”, defendi que a Grécia estava a um passo de ter de abandonar a moeda única, em face de uma cessação de pagamentos que se seguiria ao fim da ajuda europeia. Escrevi aquelas linhas mesmo sabendo de uma importante cimeira que se avizinhava e da qual, para minha grande surpresa, resultou uma nova e derradeira tentativa de oxigenar a Grécia, através de um perdão da dívida, alicerçada num programa de recapitalização bancária cujo objectivo final, não nos equivoquemos, é na realidade o salvamento dos bancos dos países credores da zona euro, a expensas dos accionistas privados, mas em benefício dos seus respectivos depositantes. Em suma, as decisões daquela reunião de governantes europeus foram positivas, na medida em que procuravam salvaguardar a solidez do sistema bancário da zona euro.

Porém, por mais positivos que os anúncios possam ter soado, os problemas de base mantiveram-se inalterados. A saber, a Grécia continua falida e, mais importante ainda, a população grega mantém-se ferozmente contra as políticas de austeridade orçamental, ainda que beneficiando agora de um perdão parcial da dívida. Em resultado de tudo isto, nas últimas horas, o Governo de Papandreou sucumbiu à pressão das ruas de Atenas e convocou um referendo, a fim de ratificar a última revisão do programa de resgate financeiro, e que, sendo de aplaudir como manifestação suprema do exercício da Democracia, condenará a Grécia a sair do euro.

Nos últimos dois anos, tenho escrito abundantemente sobre desequilíbrios macroeconómicos, orçamentos de Estado e perdões de dívida. Mas como os números relativos ao desempenho económico e financeiro de um país são na sua essência manifestações culturais desse mesmo país, rendo-me hoje à evidência de que não se conseguem prescrever soluções técnicas que, sendo boas para uma dada cultura, não sejam aceites por outra.

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